sábado, 31 de julho de 2010

A TRAVESSIA

E eu ali, na beirada do precipício, olhando a imensidão que o desconhecido adquirira
A um passo de me precipitar na travessia
Tremendo por dentro, de medo do que vou encontrar do outro lado
E me sentindo por total despreparada
Sem jamais ter passado por essa experiência
Se nunca ninguém fez esse caminho
Se nunca ninguém vai poder pisar nas pegadas que meus pés deixaram
Ao adquirir a noção de que, de verdade, nesse percurso não há anteparos
De que não posso tomar a mão de ninguém,
que ninguém vai poder me dizer, na encruzilhada, qual rumo devo seguir
Se os caminhos que já vi outros boiadeiros cruzarem
Nenum deles me serviu
Como vou me precipitar em um solo ainda virgem?
Sem rastro de humano, como vou saber o que encontrarei do outro lado?
Ou se encontrarei algum outro?
Me perceber sozinha e sem garantias
Como saber o que colocar na bagagem se não sei o que vou encontrar pela frente?
Na verdade, só posso levar o que já possuo
E isso agora parece tão pouco, perto da imensidão que o caminho adquiriu
Mas tenho a convicção de que só assim ela pode adquirir volume
Então, lá do outro lado da ponte, avisto um boiadeiro que recém cruzara-a
Consciente de que não mais adianta perguntar-lhe que caminho ele fez pra chegar lá
Apenas grito-lhe: "amigo, como é aí desse lado?"
Ele me acena o chapéu e grita de volta, sorrindo:
"Oi amigo, aqui é silencioso...mas a vista é bonita demais..

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