segunda-feira, 28 de junho de 2010

CHEGA

Cansei de me esconder da vida
De ter medo de sentir a dor da perda, do ressentimento, da solidão, das decepções, do desamparo, do desassossego
Cansei de me esquivar do que me dá prazer
por puro medo de entrar em contato comigo
E ficar exposta aos sentimentos e sentidos que desconheço
que me atravessam e aparecem sem pedir permissão
A única forma de saber de mim, de verdade
é estar exposta ao que me faz amar
E assim construir um eu composto não só de presença
Mas de fragmentos de experiência
Cansei de enterrar fantasmas no quintal de casa
E não poder ir até lá de noite
Me dei conta de que o preço que pago é alto demais
Na ilusão de prendê-los, de ter controle,
Sou eu que estou presa, não eles
Que saiam dos armários, dos refrigeradores, das perdas não elaboradas
Que venham à tona
Pago o preço de re-conhecê-los
E assim me liberto, pra viver a vida por inteiro
Inteira, sem medo do que possa surgir a cada esquina, a cada encontro,
Pago o preço da solidão
Sem desculpas, nem pôr nada no lugar
Pago o preço de saber
que pra ser um humano é necessário ser um
E assim, permito à vida chegar a mim

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