O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não
O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
"Quero a sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda a sua pouca castidade
Quero toda a sua louca liberdade
Quero toda essa vontade de passar dos seus limites
E ir além, e ir além"
(Vitoriosa - Ivan Lins-Vitor Martins)
Como já dizia o Big Brother: "Achar o homem da minha vida tá dificil, mas procurar tá muito bom!"
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda a sua pouca castidade
Quero toda a sua louca liberdade
Quero toda essa vontade de passar dos seus limites
E ir além, e ir além"
(Vitoriosa - Ivan Lins-Vitor Martins)
Como já dizia o Big Brother: "Achar o homem da minha vida tá dificil, mas procurar tá muito bom!"
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa, 2-8-1933
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa, 7-1-1935.
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa, 2-8-1933
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa, 7-1-1935.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Fernando Pessoa (Ricardo Reis)
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, 1-7-1916
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Fernando Pessoa, 1934
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Fernando Pessoa (Ricardo Reis)
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, 1-7-1916
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Fernando Pessoa, 1934
"NÃO PODE SER AO CONTRÁRIO?" - A estória do príncipe que vira sapo
É engraçada essa estória que hoje eu vou lhes contar
Triste é deixar ruir todas as construções, os planos, expectativas, construídos por única autoria
Ver o medo nos olhos daquele que se acreditou ser o homem que lhe protegeria
que estaria muito além de você e você teria que correr muito pra alcançá-lo
É triste ver que ele é um menino assustado, assim como você
Que não sabe o que fazer e, pra disfarçar, bota banca de bom rapaz, bom partido, tudo de bom
Bom nada...por trás do enfeite, das frases feitas, da aparência, não tinha nada
Por um lado é bom saber que não se está tão longe de ter o que se quer
Que os motivos são outros, que não é porque não se é bom o suficiente pra habitar o mundo dos bons
Mas é justamente porque se exige do bom que ele seja mais que isso
que ele seja autêntico, que se mostre, mesmo que não seja só bondade
E ele não tem nada mais que isso pra mostrar
É o que ele é, e passa tanto trabalho pra ser
vai alguém querer saber mais que isso?
Isso já é o suficiente, não vai pedir mais dele
Mas ao mesmo tempo é triste
pensar que não se soube lidar com isso
Ou que se preferiu a espada ao príncipe
e não se conseguiu ficar atrás da cortina estendida
tão cuidadosamente colocada
e não se resistiu olhar atrás
levando ao único resultado possível a partir disso
Descobrir que por trás da armadura reluzente
não tinha nada
Triste é deixar ruir todas as construções, os planos, expectativas, construídos por única autoria
Ver o medo nos olhos daquele que se acreditou ser o homem que lhe protegeria
que estaria muito além de você e você teria que correr muito pra alcançá-lo
É triste ver que ele é um menino assustado, assim como você
Que não sabe o que fazer e, pra disfarçar, bota banca de bom rapaz, bom partido, tudo de bom
Bom nada...por trás do enfeite, das frases feitas, da aparência, não tinha nada
Por um lado é bom saber que não se está tão longe de ter o que se quer
Que os motivos são outros, que não é porque não se é bom o suficiente pra habitar o mundo dos bons
Mas é justamente porque se exige do bom que ele seja mais que isso
que ele seja autêntico, que se mostre, mesmo que não seja só bondade
E ele não tem nada mais que isso pra mostrar
É o que ele é, e passa tanto trabalho pra ser
vai alguém querer saber mais que isso?
Isso já é o suficiente, não vai pedir mais dele
Mas ao mesmo tempo é triste
pensar que não se soube lidar com isso
Ou que se preferiu a espada ao príncipe
e não se conseguiu ficar atrás da cortina estendida
tão cuidadosamente colocada
e não se resistiu olhar atrás
levando ao único resultado possível a partir disso
Descobrir que por trás da armadura reluzente
não tinha nada
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
UMA VIDA PRA CHAMAR DE MINHA
Um dia entendi que falar de onde vim não falava mais de quem eu sou
Que patrimônio é algo que se herda
Mas que o que me pertence é o que de fato eu construo
E que então estou ainda no início
Mas que já tenho algo que posso chamar de meu
E que isso me aproxima de muitos outros que lutam pelo mesmo objetivo
De ter uma vida pra chamar de minha
De construir uma vida que tenha sentido
Algo que me leve a acordar todos os dias
E prosseguir
Mesmo que às vezes as forças pareçam se esgotar
E eu deseje ter mais 5 minutinhos na cama
Entendi que melhor é ter um motivo pra acordar
Que poder ficar na cama o quanto me apetece
Entendi
Que tenho que abrir mão do que é um canto confortável e seguro
Pra poder prosseguir na caminhada
E esse porto ser somente um ponto de retorno
Mas que não seja a meta pra onde aponta o caminho
Pra esse ano, que eu tenha coragem o suficiente
De me desprender da vida conhecida
Pra continuar a construir uma vida pra chamar de minha
Que patrimônio é algo que se herda
Mas que o que me pertence é o que de fato eu construo
E que então estou ainda no início
Mas que já tenho algo que posso chamar de meu
E que isso me aproxima de muitos outros que lutam pelo mesmo objetivo
De ter uma vida pra chamar de minha
De construir uma vida que tenha sentido
Algo que me leve a acordar todos os dias
E prosseguir
Mesmo que às vezes as forças pareçam se esgotar
E eu deseje ter mais 5 minutinhos na cama
Entendi que melhor é ter um motivo pra acordar
Que poder ficar na cama o quanto me apetece
Entendi
Que tenho que abrir mão do que é um canto confortável e seguro
Pra poder prosseguir na caminhada
E esse porto ser somente um ponto de retorno
Mas que não seja a meta pra onde aponta o caminho
Pra esse ano, que eu tenha coragem o suficiente
De me desprender da vida conhecida
Pra continuar a construir uma vida pra chamar de minha
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